Governança: Desafios para aumento da participação de mulheres.  

Por: Brunna Veiga

O tema governança nas empresas tem atraído cada vez mais atenção das companhias com objetivo de atender práticas ESG e sustentar um crescimento do negócio de forma profissionalizada e estruturada. Um sistema de governança, nada mais é do que um sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, e a estruturação de um conselho de administração como órgão colegiado faz parte das melhores práticas de governança.  

Obviamente, a existência de Conselhos de Administração já é uma exigência nas empresas de capital aberto, uma vez que é premissa da lei S.A. Contudo, o que tem chamado a atenção nos últimos tempos é o crescente número de empresas de capital fechado, médias e pequenas empresas que tem instituído conselhos de administração compostos por conselheiros independentes.  

Conselheiros independentes são executivos que não possuem qualquer vínculo de remuneração com a empresa e nem participação societária nela, mesmo que seja indicado como representante de acionista. Essa suposta independência visa facilitar a atuação de forma isenta de outros interesses, mas sempre em prol dos interesses da empresa e não de um determinado grupo ou área corporativa.  

Esse movimento de estruturação de conselhos com membros independentes, tem levado as empresas a repensar de forma estratégica a composição de seus Conselhos e a uma maior profissionalização do processo de seleção. Segundo pesquisas, a busca por membros independentes em conselhos de administração cresceu de 35% para 61% nos últimos sete anos. Contudo, vale observar que, de acordo com pesquisa Board Index 2021, as mulheres representam apenas 14,3% das cadeiras dos conselhos de administração. Ainda sobre a participação feminina, estudo feito pela B3 em 2021 com 408 companhias listadas, apontou que 45% destas empresas não tinha nenhuma participação feminina no conselho de administração. 

Embora ainda o principal “modelo para seleção” de conselheiros independentes ainda seja a indicação direta de acionistas ou dos atuais conselheiros, cada vez mais as empresas têm buscado um modelo de seleção mais profissionalizado e conduzido por empresas de consultoria especializadas em atuar nesse nível de posição. Essa mudança na forma de constituir o conselho visa atender três grandes objetivos:  

– Transparência e Idoneidade: Garantir processo idôneo que favoreça a escolha de executivos aderentes ao perfil da organização e alinhados ao propósito do negócio, porém com novas visões e novas experiências, minimizando assim vieses de indicações que tendem a priorizar perfis muito similares aos dos demais conselheiros.  

– Trazer Executivos de Alta Relevância: Favorecer a busca por executivos que entendam profundamente de negócios, não especificamente do negócio da empresa, mas sobretudo de áreas ou mercados específicos em que a empresa deseje ancorar sua estratégia de atuação ou ampliar participação, a exemplo de ESG, Mercado, etc. Uma vez que o conselho é um colegiado, ele se constrói pela soma de experiências dos executivos que o constituem.  

Diversidade: Criar processo que estimule a diversidade e, em especial uma maior participação de mulheres, já que invariavelmente as empresas têm programas estruturados voltados a diversidade e o próprio conselho deve ser exemplo disso. Mas além de ser exemplo, o fato de constituir um colegiado diverso em gênero, traz importantes ganhos na inovação e na forma como a empresa se posiciona e fala com seu público de mulheres. 

Recentemente, a Marisa Lojas, conhecida pelo comércio varejista direcionado à moda feminina, anunciou a composição do conselho de administração da companhia como formado 100% por homens. Tal decisão reverberou negativamente nas redes sociais, não apenas pelo retrocesso com relação à diversidade, mas sobretudo por envolver um negócio ancorado na estratégia voltada majoritariamente ao público feminino. Um conselho formado apenas por homens e sem presença de mulheres provavelmente terá muito mais dificuldades em conectar o negócio às necessidades do público com o qual a Marisa Lojas conversa. 

Ainda precisamos falar muito mais sobre a presença de mulheres nos conselhos. Segundo o relatório o relatório Women in Business and Management: The Business Case for Change (em tradução livre: ‘Mulheres nos negócios e na gestão: por que mudar é importante para os negócios), realizado pela ONU – Organização das Nações Unidas, indica que empresas que investem em políticas de igualdade de gênero e diversidade apresentam melhores resultados, inclusive na sua rentabilidade.  

Mesmo em um cenário desafiador para se compor conselhos com maior presença feminina, existem avanços nesse sentido, e um deles, é a crescente busca pelos serviços de recrutamento especializado para atuar em posições desse nível com objetivo de trazer mais mulheres nesse espaço de poder. Além do fato que, muitas empresas estão “acordando” para o fato de que diversificar o time de executivos vai agregar diferentes visões e experiências, como consequência disso, ajudar a empresa a direcionar sua estratégia para atender a um público também cada vez mais diversos.  

*Sobre a autora: Brunna Veiga é CEO da C-LEVEL Group. Executiva especialista em RH e consultoria, gestão de negócios e headhunter.  LinkedIn Brunna Veiga.

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